Chega de perder horas preciosas preso no trânsito da Barra e da Linha Amarela!
Em ano eleitoral, campanha resgata projeto histórico para desafogar trânsito na região, recriando digitalmente a futura estação Geremário Dantas, no local do antigo Cine Cisne.
A Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF), em parceria com o movimento “Cadê o Metrô”, lançou nesta quinta-feira (17/09/2026) uma campanha em vídeo para cobrar dos candidatos ao Governo do Estado um compromisso real com a construção da Linha 6 do Metrô. A iniciativa visa pressionar os políticos a tirarem da gaveta um projeto debatido desde o século passado, essencial para evitar o colapso viário da Baixada de Jacarepaguá.
A urgência de uma ligação de alta capacidade unindo a Baixada de Jacarepaguá (Zona Sudoeste), a Zona Norte e a Ilha do Governador não é um capricho recente. O conceito de uma via de massa na região já aparecia nos primeiros grandes estudos urbanísticos do Rio de Janeiro, ganhando força a partir da década de 1970 e sendo formalmente consolidada nos Planos Diretores de Transporte Urbano (PDTU) no final da década de 1990 e início dos anos 2000.
Historicamente desenhada para ser o elo definitivo entre a Barra da Tijuca (Terminal Alvorada) e o Aeroporto Internacional (Fundão/Ilha do Governador), a Linha 6 acabou escanteada na década de 2010. Pressionado pelos prazos da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o poder executivo optou pela construção de um modal mais barato e rápido de implementar: o BRT Transcarioca.
A luta da sociedade civil organizada pelo metrô da linha amarela (linha 6) teve um marco recente em outubro de 2015, quando a AMAF, ao lado da FAMRIO (Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro), lotou o Clube Olímpico de Jacarepaguá para exigir da Secretaria Estadual de Transportes a inclusão do metrô nos planos metropolitanos.
Contudo, como já alertavam os urbanistas e as associações de moradores, o modal rodoviário saturou em poucos anos frente ao explosivo adensamento populacional de bairros como Freguesia, Pechincha, Taquara e Anil. O esgotamento do BRT e o travamento diário da Linha Amarela provaram que a substituição do projeto metroviário foi apenas um paliativo, reforçando a tese de que apenas um transporte ferroviário pesado (como a Linha 6, com seu mapa já desenhado e estudado há décadas) pode resolver o gargalo metropolitano.
A visão de longo prazo: PDTU, expansão e a fala da AMAF
Essa necessidade estrutural de um transporte de alta capacidade tem sido frequentemente levada a público pela atual gestão da associação. A urgência vai muito além de pequenos ajustes no trânsito. A AMAF já projeta a necessidade da região mapeando as grandes metas de estado discutidas no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e nos projetos de expansão do metrô fluminense, que miram as janelas de investimentos de 2035 e 2045. Sem a garantia do início desses debates hoje, a Baixada de Jacarepaguá corre o risco de ficar de fora do orçamento e das prioridades das próximas décadas.
Diante dos problemas crônicos de mobilidade que afetam a região, a AMAF entende que a formulação de novos projetos de investimento em metrô é uma necessidade estrutural inadiável e que o traçado original deva ser complementado com pesquisa de novas linhas. Essa urgência, tem sido frequentemente levada a público pela atual gestão da associação.
Como solução direta a esse gargalo, a entidade encampou o projeto popular da Linha Transversal, uma alternativa robusta proposta por Lélio e criteriosamente revisada por Marilea e pelo Grupo de Trabalho (GT) de Mobilidade Urbana da AMAF
O projeto ganhou forte visibilidade técnica quando foi apresentado por Lélio de Araújo ao Fórum Permanente de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 30 de novembro de 2023. Pouco tempo depois, em 24 de março de 2024, a AMAF fez a publicação oficial detalhando esse encontro em seu site, marcando também o lançamento do abaixo-assinado para a população. Junto a essas campanhas e aos pedidos de inclusão submetidos ao governo estadual em 2023 e 2024, a instituição disponibilizou os mapas ilustrativos da Linha Transversal. Esses PDFs, que contêm o desenho exato de onde ficariam as estações propostas ao longo da via, além do vídeo e dos documentos da apresentação, podem ser baixados diretamente do portal da associação para serem utilizados como material de apoio e divulgação.
A associação projeta as necessidades de Jacarepaguá mapeando as grandes metas de estado discutidas no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e nos projetos de expansão da malha fluminense, que miram as janelas de investimentos de 2035 e 2045. Sem a garantia do início desses debates hoje, a Baixada de Jacarepaguá corre o risco de ficar de fora do orçamento e das prioridades logísticas das próximas décadas.
Para garantir que a iniciativa ganhe tração, a AMAF já deu os primeiros passos institucionais. A proposta da Linha Transversal foi formalizada por meio de ofício e encaminhada diretamente à Rio Trilhos, empresa estadual responsável por planejar e fiscalizar os sistemas de transporte sobre trilhos no Rio de Janeiro.
A Secretaria de Estado de Transporte, via Rio Trilhos, não apenas recebeu e avaliou os mapas da Linha Transversal, mas se comprometeu oficialmente a incluir a proposta na pauta da próxima janela de revisão do Plano Diretor Metroviário (PDM). A resposta oficial foi assinada por Rafael Machado Quaresma, diretor-presidente da Rio Trilhos (Riotrilhos). O trecho exato divulgado nos registros afirma que o presidente: “Reconheceu a relevância da proposta da Amaf e indicou que a inclusão da Linha Transversal seria considerada na próxima atualização do Plano Diretor Metroviário [a ser realizada em 2027].”
Em recente relato ao jornal O Globo, o presidente da AMAF, Yuri Leal, reforçou que não basta apenas ampliar opções paliativas rodoviárias; o foco deve ser a implementação de transporte metroviário em Jacarepaguá. A associação defende que o debate sobre trazer o metrô para Jacarepaguá precisa entrar na agenda do governo estadual imediatamente.
Como os planos metropolitanos sofrem revisões de ciclo, a exemplo dos debates previstos para 2027, a hora de agir é agora. “Este é o momento ideal para convocarmos a população e mantê-la mobilizada até lá”, destacou Leal, ao justificar as campanhas de abaixo-assinado e as ações de pressão popular para garantir os estudos da Linha Transversal.
Publicado no canal oficial da Associação no YouTube sob o título “Metrô da Linha Amarela é solução para deixar de perder horas no trânsito de Jacarepaguá!”, o vídeo traz o desabafo de, Marilea Melo, conselheira da AMAF, uma motorista exausta com os engarrafamentos diários. “Eu não aguento mais esse engarrafamento todo dia, são horas perdidas na Barra, Linha Amarela, trânsito travado na Serra… e Jacarepaguá inteira parada no asfalto”, diz a protagonista logo no início.
O grande destaque da campanha é o uso de Inteligência Artificial generativa para materializar esse sonho antigo dos moradores. O vídeo exibe projeções realistas de uma simulação do metrô cruzando a Linha Amarela, culminando na recriação virtual de como seria a futura Estação Geremário Dantas. Com forte apelo à memória afetiva e histórica do bairro, o vídeo projeta a construção da estação na área próxima à Pizzaria Papizo, no exato local onde por anos funcionou o icônico Cine Cisne — cinema de rua da região que foi demolido justamente para dar lugar às obras da Linha Amarela.
Um traçado estratégico e a urgência para 2027-2035
A proposta defendida pelo Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da AMAF reforça o trajeto estratégico da Linha 6: saindo do Terminal Alvorada, o metrô cortaria o fluxo pesado da Avenida Ayrton Senna, com paradas no Gabinal / Cidade de Deus, subindo pela Linha Amarela, na Freguesia. Após a parada na Estação Geremário Dantas, a linha seguiria em direção à Ilha do Governador, passando pelo Méier e conectando-se com a Linha 2.
Ressalta-se que o investimento no Metrô da Linha Amarela (Linha 6) é algo possível, sendo um projeto amplamente mapeado e aprovado há décadas, o que representa o menor custo de planejamento inicial para o Estado, visto que o conceito de engenharia já existe. O vídeo inclusive reforça isso: “A Linha 6 do metrô está no papel desde o século passado”.
Mobilização nas redes
O vídeo termina com uma provocação clara à população: “Quanto tempo você pouparia com o metrô aqui em Jacarepaguá? Pense nisso. Marque seu candidato”.
A publicação no site e nas redes sociais da AMAF convoca os moradores da Freguesia, Taquara, Pechincha e bairros vizinhos a entrarem na mobilização. A orientação é que a população compartilhe o vídeo e marque os candidatos ao Governo do Estado nos comentários, exigindo que apresentem propostas concretas para a atualização do projeto executivo e para o início das obras da Linha 6.
Para a AMAF, o recado é claro: Jacarepaguá não pode mais esperar, e o voto deste ano precisa estar condicionado ao direito de ir e vir com dignidade.


